Negócios

Transição digital: Como a educação, o entretenimento e a cultura estão se adaptando ao contexto da pandemia

14 de abril, 2020

Você já sabe o que ocorreu: de repente, boa parte da população do país – e do mundo – está presa em casa. E em meio a tantas incertezas, uma convicção: a tecnologia está sendo usada mais do que nunca. No Brasil, o tráfego de internet aumentou em pelo menos 40% somente na primeira semana de quarentena e segue em tendência de alta, de acordo com as operadoras de telefonia Vivo, Claro, TIM e Oi para reportagem na Folha de São Paulo. Esse crescimento não só é proveniente de uma maior frequência de quem já a utilizava, mas também da adesão por setores e usuários que, por necessidade de adaptação rápida, estão caindo de paraquedas nesse novo ambiente.

Como já vimos anteriormente, a massiva transição para formas de trabalho remoto é um grande exemplo de breakthrough tecnológico que será proveniente desse momento que estamos vivendo.

Mas não paramos por aí. Uma infinidade de áreas estão sendo diretamente afetadas e, consequentemente, reconfiguradas para uma atuação envolvendo tecnologia. Ainda que cheia de enormes desafios, essa mudança de formato pode ser vista como um gatilho para – finalmente – virarmos a chave da transformação digital em massa. Dentre alguns dos setores que estão enfrentando essa revolução estão os da educação, cultura e entretenimento. Vamos ver de que formas?

Educação

Dentre um dos setores que claramente estão sofrendo transformações frente às medidas relacionadas a esse contexto de prevenção do coronavírus está o da educação. Se antes existiam barreiras para a adesão de cursos em formato EAD e para as edtechs – startups nesse ramo – agora estes se destacam como a única alternativa viável para a manutenção das formas de ensino, levando em conta a situação de isolamento e urgência que nos deparamos. 

De acordo com dados da Unesco, os quais são atualizados diariamente, hoje – 14 de abril de 2020 –  mais de 1 bilhão e meio de alunos de escolas e universidades ao redor do mundo estão com suas aulas presenciais suspensas, número que corresponde à 91% do total de estudantes matriculados. Desde o fim de fevereiro, o número de países que optaram por esse fechamento – seja por imposições dos governos nacionais por iniciativas localizadas – cresceu exponencialmente. Frente a essa medida, a qual visa evitar o contágio e disseminação do vírus, instituições de ensino ao redor do globo estão tendo que tomar iniciativas para manter suas atividades, resultando na adoção de alternativas digitais em muitos casos.

No caso do Brasil, a interrupção do ensino presencial foi uma definição governamental e impacta a totalidade das instituições de ensino básico e superior do país. A partir da determinação do MEC, no dia 18 de março, que autorizou a utilização de meios e tecnologias digitais para substituir temporariamente as aulas presenciais, todas as instituições que se viram em condições passaram a fazê-lo. Como resultado, neste momento, milhares de estudantes estão tendo acesso à aulas, mensagens, atividades, vídeos e tudo que envolve ensino e aprendizagem de forma online, para que o processo educativo não se interrompa. 

A tecnologia que permite a educação a distância (EAD) são os chamados AVA´s – Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Alguns exemplos são o Moodle, Blackboard e Google Classroom. Os AVA´s permitem a realização de fóruns, chats, testes e até mesmo a boa e velha aula expositiva. Além disso, assim como nos ambientes de trabalho, o contexto educacional também vem usufruindo intensamente de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), para manter seu processo de ensino e aprendizagem o mais próximo do normal. 

Evidentemente essa não é uma transição nada fácil, principalmente considerando as enormes desigualdades em nosso país e, consequentemente, o restrito acesso à estrutura tecnológica por grande parte dos alunos, escolas e universidades. Além disso, a adaptação ao ambiente virtual exige ajustes pedagógicos, uma organização diferente de tarefas e atividades e, principalmente, uma adaptação de mindset de alunos e professores. Ainda assim, o contexto atual certamente abrirá muitas portas para as iniciativas de estudo virtual mesmo após a crise.

Entretenimento e cultura

Outras áreas que estão se transformando no momento atual são relacionadas ao entretenimento e à cultura. Uma vez de quarentena, é natural que muita gente use o aumento do tempo livre para colocar filmes, seriados, podcasts e músicas em dia! É aí que entram em ação as plataformas de streaming, como Netflix, Amazon Prime, Spotify, Scribd, Deezer, Ubook, Now, Globo Play, Disney+, Youtube, etc – como formas de distribuição de conteúdo multimídia através da internet. Essas, que nos últimos anos já vinham tendo  um grande aumento de aderência, tiveram um pico de audiência no último mês. Levando em conta que essas plataformas consomem mais de 60% de todo o tráfego online no mundo, e combinado ao aumento do uso de outras tecnologias digitais, se tornou inclusive necessário reduzir a resolução das transmissões para evitar um colapso da rede de internet de muitos países. Acho que fica evidente a grandiosidade da aderência a essas formas de entretenimento, não é mesmo?

Além disso, o setor de shows e eventos teve suas atividades tradicionais completamente interrompidas com o contexto de isolamento implantado. Com isso, artistas, produtores de eventos e plataformas de ingressos tiveram que adaptar-se para continuarem ativos de alguma forma nesse período. Um exemplo que veio tomando conta das redes sociais nos últimos dias foi a presença de músicos e DJs realizando shows a partir de lives na internet. Como exemplos de recordes de audiência nacional tivemos as performances da cantora Marília Mendonça e da dupla Jorge e Mateus, com 3,5 e 3,1 milhões de espectadores simultâneos no Youtube. Nenhum show físico na história já teve uma quantidade de pessoas assistindo tão alta. Aí se mostra mais um benefício do mundo digital.

Como mais uma entre as diversas oportunidades que estamos tendo acesso neste período de quarentena, existem diversos museus e galerias de arte que estão temporariamente fechando suas portas físicas, mas abrindo-as de forma virtual. Dentre as muitas instalações que você agora pode visitar estão o Metropolitan Museum of Art – MET, o Museu d’Orsay, o Museu da Acrópole, o Yad Vashem Museu do Holocausto e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Tudo virtualmente, é possível fazer visitas guiadas, explorar imagens em 360º e ter acesso a obras e aprendizados infinitos. Quem diria que um dia seria tão fácil acessar relíquias culturais ao redor do mundo inteiro sem nem sair de casa?

Já é claro para todos que o que estamos vivendo com a pandemia do coronavírus ficará para a história. Entretanto, é possível considerar que o legado desse momento não se restringirá à enorme tristeza proveniente da disseminação do vírus. Observando sob a ótica da adesão à transformação digital, as mudanças que estão acontecendo atualmente também terão, muito provavelmente, um impacto positivo no longo prazo. Devemos, portanto, aproveitar essas novidades e aprendizados para seguir usando a tecnologia para o bem da sociedade, seja para a difusão de educação, entretenimento e cultura, seja para qualquer área.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *