Cultura

Trabalho Híbrido: O formato de trabalho ideal pode ser “e” não “ou”

8 de junho, 2020

A situação de pandemia pela qual estamos passando nos últimos meses foi um dos fatores decisivos para diversas mudanças estruturais e comportamentais. Práticas que previamente eram tendências futuras viraram, de uma hora para a outra, mainstream. Dentre estas, a modalidade de trabalho remoto. Nenhuma novidade até aí.

Como também já sabemos, assim como toda a tempestade, essa se estabilizará. Ainda assim, é evidente que vestígios derivados dessas transformações irão perdurar. Nesse contexto, as especulações a respeito do  “novo normal” – hot topic entre os teóricos e analistas do cenário vigente – já saturam os canais de comunicação e expressão no mundo do trabalho. 

Diante do atual cenário, trouxemos algumas reflexões: será que voltaremos ao antigo normal, pautado pelas jornadas presenciais de 8h por dia e sete dias por semana no escritório? Ou a pandemia realmente foi a virada de chave definitiva para migrarmos integralmente ao trabalho remoto?

Definitivamente não sabemos. Mas acreditamos em um futuro baseado em dados e percepções que a nossa equipe tem trazido em pesquisas, feedbacks e reuniões diárias. Afinal, o melhor formato deve ser aquele debatido entre todos os colaboradores de uma empresa. 

Vamos aos dados

Segundo uma pesquisa realizada recentemente pelo time de RH da 4all, 116 funcionários da empresa mostraram sua visão a respeito da migração ao remoto nos últimos meses. Os resultados desse estudo – complementados por uma análise externa – despertaram alguns insights muito interessantes, que nos fizeram refletir a fundo sobre esse novo paradigma. 

35% dos colaboradores consideraram que essa mudança total para o home office está sendo uma experiência irrefutavelmente positiva, não havendo identificado pontos negativos. Entretanto, a grande maioria dos colaboradores (57%) viu essa transição ao remoto como uma prática positiva, mas ainda assim sentem de alguma forma falta do trabalho presencial. O restante dos respondentes (8%), viu o contexto de trabalho atual como negativo em algum nível.

Pontos positivos

Uma vez que provamos o gostinho de trabalhar de casa, diversos pontos positivos se tornam visíveis: economizar o tempo de locomoção ao escritório, ter a privacidade de um ambiente só seu e cozinhar sua própria comida no intervalo de almoço são só alguns dos pontos frequentemente enfatizados. É bem como trouxe uma de nossas colaboradoras: “o home office em si é muito bom, traz economia em deslocamento, mais comodidade, os doguinhos amam e nos alimentamos melhor”.

Além disso, um ponto mais subjetivo que vem à tona é que, para profissionais de certas áreas – como é o caso da nossa galera que trabalha com TI – estar sozinho permite um aumento muito considerável na produtividade do trabalho. A grande maioria dos nossos colaboradores participantes da pesquisa enfatizou que a adoção alguns rituais os permitiu atingir esse ótimo desempenho trabalhando de casa, como por exemplo manter uma rotina, organizar seu ambiente, respeitar os horários de trabalho e  se comunicar de forma ativa e recorrente com seu time. Nesse artigo, recomendamos 04 dicas para manter a produtividade no home office!

Ainda, o trabalho remoto tem o poder de viabilizar que ótimos colaboradores sigam na empresa mesmo que, por diversos motivos, tenham a barreira de não poderem estar presentes fisicamente. Como exemplo, confira o nosso artigo sobre profissionais que foram morar fora do país e seguiram conosco à distância!

As carências

Como vimos, existem vários pontos positivos identificados pelos colaboradores em operar de forma remota. Mas, ainda assim, migrar integralmente para esse formato gera algum desconforto e sensibilidade para muitos profissionais. Diversos pontos que embasam esse sentimento foram trazidos em nossa pesquisa, desde as distrações presentes no ambiente doméstico até a necessidade de equipamentos mais adequados e confortáveis (cadeiras, monitores, etc). Estas necessidades, contudo, são de certa forma manejáveis. Mas existe um ponto essencial que diferencia o trabalho à distância e o trabalho presencial: o contato humano.

Não importam quantas opções de ferramentas de comunicação tenhamos à fácil acesso, o bom e velho cara a cara tem seu valor. “Nada substitui a comunicação presencial”, “sinto falta da interação e do fácil acesso aos times” e “a dificuldade é com a falta de gente…” são comentários que representam um sentimento coletivo. 

Afinal, a nossa cultura é feita de pessoas e o isolamento reflete esse sentimento de saudade. No âmbito organizacional, questões como cultura e experiência dos colaboradores são assuntos com validade comprovada. Durante a trajetória da 4all, por exemplo, nossos happy hours ficaram marcados como momentos inesquecíveis e especiais, que tiveram o importante papel de unir e motivar as equipes.

Paralelamente a isso, esse período de quarentena deixou claro para muitos o quanto estar sozinho pode ser prejudicial para nossa saúde mental. De acordo com uma pesquisa feita pela Buffer State of Remote Report 2020, a solidão é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas pessoas que recentemente migraram ao trabalho remoto.

“E”, não “ou”

Colidindo argumentos dos dois lados, nossa resposta para a dúvida “home office ou trabalho presencial?” é mais um questionamento: deve essa ser uma escolha binária? Afinal, talvez a melhor solução seja fundir os dois modelos, permitindo um formato de trabalho híbrido. Isto é, manter uma sede física – possivelmente mais enxuta – e paralelamente permitir que os funcionários operem de casa sempre que acharem necessário. É interessante lembrar que, na 4all, já operamos pontualmente nesse formato, o que nos faz acreditar ainda mais que este possa ser expandido a mais pessoas.

“Na minha percepção, ele [trabalho em home office] é ideal uma ou duas vezes por semana”, comentou um de nossos colaboradores na pesquisa realizada. Muito provavelmente o fracionamento entre dias para se trabalhar de casa ou do escritório irá variar para cada colaborador. Mas uma coisa é certa: permitir que cada um opte pelo formato que lhe provoca uma maior produtividade e satisfação no trabalho só fará com que a empresa como um todo saia ganhando.

Como falamos anteriormente, respostas definitivas não temos. Ainda mais nesse contexto e extrema incerteza. Mas as evidências apontadas nos levam à acreditar cada vez mais na hipótese do trabalho híbrido. Uma de nossas colaboradoras enfatizou: “logo vai passar e vou pro escritório dar todos os abraços que estou guardando”. E no dia seguinte, quem sabe, irá voltar pra casa e seguir na onda de produtividade que foi estabelecida nos últimos meses?


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