Negócios

Organizações Exponenciais: o que define os negócios altamente escaláveis que vem alterando paradigmas

22 de outubro, 2020

Negócios, ideias e tecnologias pautados pela exponencialidade já são enraizados quando falamos do universo de startups. Praticamente todas as soluções tecnológicas – como apps de mobilidade, delivery, streaming de filmes e música – que fazem parte do meu, do seu e do dia a dia de grandíssima parte da população mundial, são fruto das chamadas Organizações Exponenciais.

É impossível negar que muitos dos hábitos e comportamentos da sociedade atual são impactados diretamente por tais empresas. Mas você sabe de onde essa abordagem se tornou tão popular e porque se enraizou de vez nas estratégias dos negócios mais inovadores ao redor do mundo? Vem conferir!

O que são as Organizações Exponenciais?

Em livro homônimo, as Organizações Exponenciais são definidas por Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri van Geest como “um negócio cujo impacto (ou resultado) é desproporcionalmente grande – pelo menos dez vezes maior – comparado ao de seus pares, devido ao uso de técnicas organizacionais que alavancam as tecnologias aceleradas”.

Quando falamos da estratégia dos negócios exponenciais, estamos falando de um contexto de aceleração sem precedentes. As tecnologias com as quais se tem acesso atualmente mudaram radicalmente  a forma de se fazer negócios e, consequentemente, a vida das pessoas. A informação se tornou o ativo chave e as estruturas organizacionais mudaram radicalmente. Nesse cenário, a lógica da escassez e da linearidade dos modelos de negócio são substituídas por uma visão de abundância e, evidentemente, de crescimento exponencial.

Já esclarecido o fato de que uma organização exponencial é um negócio amplamente escalável e tem como fator chave para alavancagem sua base tecnológica, pode-se questionar quais são os outros fatores que definem uma empresa que é – ou tem potencial para se tornar – exponencial. Peter Diamandis, co-fundador da Singularity University, propõem um framework que define estágios para identificação de negócios exponenciais: o modelo dos 6Ds (digitalizado, disfarçado, disruptivo, desmaterializado, desmonetizado e democratizado). Confira:

(1) Digitalizado

O primeiro estágio é basear-se por uma lógica digital. Uma opção pode ser um negócio que é nativo do mundo digital, já tendo sido originado nesse espaço (exemplos são os negócios de plataforma ou as chamadas DNVBs – Digital Native Vertical Brands). Outra linha são negócios que transpuseram seu formato original – físico – para o meio digital (varejistas que passam a atuar como e-commerces são um exemplo).

É interessante ressaltar que esse ponto da digitalização não limita-se ao produto ou serviço ofertado pela empresa, mas também compreende a digitalização de processos de gestão, produção, logística, etc.

(2) Disfarçado

Superada a etapa da digitalização, passamos para a fase de crescimento, mas de um avanço ainda disfarçado. Em um primeiro momento, esses negócios parecerão crescer a passos muito mais lentos do que, inclusive, uma empresa com um modelo de negócio tradicional (linear). 

É aqui que vale voltarmos para a origem do termo “exponencial”, que vem lá da matemática. O início de uma curva exponencial sempre possui um avanço que parece nulo, mas o que acontece é que os números que se duplicam são muito pequenos. Mas calma, que as aparências enganam. Nesse caso, o estouro que está por vir.

(3) Disruptivo

Ao longo do tempo, no mesmo nível em que a quantidade aumenta, a taxa de crescimento a cada duplicação também cresce. No caso das empresas, uma vez atingido esse breakthrough de crescimento, se passa para a etapa seguinte: a disrupção. Nesse patamar, o crescimento se torna desenfreado e a escalabilidade não tem barreiras.

Como o próprio termo define, ainda que por vezes seja utilizado com fins diferentes, algo disruptivo é algo que “quebra o curso normal de um processo, o que rompe ou fratura”. Falando de negócios, estamos dizendo que uma inovação totalmente inédita foi validada pelo mercado e passa a ser difundida ao público geral de forma acelerada.

(4) Desmaterializado

O próximo passo é a desmaterialização. Ou seja, mesmo que o negócio que chegou até aqui tivesse como base algo ainda fundamentalmente físico, o curso natural é que, visando alcançar uma real escalabilidade ilimitada, o produto se converta em algo intangível. Os inúmeros aplicativos que temos em nossos celulares e computadores são prova viva disso.

Exemplos clássicos que explicam essa lógica são, por exemplo, CDs e DVDs que eram físicos, agora são substituídos pelo acesso a músicas e filmes em plataformas de streaming, as quais são totalmente imateriais. Ou até o próprio exemplo da computação em nuvem (leia nosso artigo sobre o tema), que substitui a necessidade de sistemas físicos para o armazenamento de dados.

(5) Desmonetizado

Na sequência, uma vez que o custo marginal para disponibilização de uma aplicação totalmente digital para mais um usuário se torna praticamente nulo, escalar esse negócio para uma quantidade muito grande de pessoas não encontra barreiras financeiras adicionais. Isso é uma vantagem irrecusável aos negócios, mas também é a deixa para possibilitar o último fator dessa lista:

(6) Democratizado

Por fim, a democratização. Retomando a lógica da abundância, quando se parte de uma proposta de negócio exponencial com base tecnológica, um dos principais resultados é a possibilidade de tornar acessível para uma quantidade substancialmente maior de pessoas. Se há anos atrás era preciso ter uma enorme estrutura multinacional e um quadro de profissionais gigante para ter um impacto global, a lógica das Organizações Exponenciais atualmente permite isso de forma muito mais enxuta.

É um fato que essa lógica de negócios está cada vez mais e mais presente em nosso dia a dia. O mundo que vivemos hoje é substancialmente diferente do que costumava ser e, portanto, os modelos de negócio também.

Definitivamente o sucesso das gigantes da tecnologia vai muito além desses fatores, mas se você tem o sonho de fazer sua empresa decolar assim como as big techs que preenchem os holofotes mundo afora, se atentar a esses atributos básicos da lógica exponencial é  primeiro passo.

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