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Iridium e a lição de US$ 5 Bilhões: a importância da visão sistêmica para a inovação

2 de dezembro, 2020

O mundo e o mercado estão cada vez mais dinâmicos. Nesse contexto, inovar é preciso. Porém, a inovação com uma visão isolada e não sistêmica, além de não ser suficiente para sua empresa se destacar no mercado, poderá ser a fórmula para o fracasso.

No contexto das organizações exponenciais, as tecnologias emergentes estão se desenvolvendo de forma acelerada, o que faz com que soluções – e até mercados inteiros – se tornem obsoletos do dia para a noite. Não à toa que a expectativa de vida das maiores empresas norte-americanas caiu de 67 anos (1920) para 15 anos (2015), de acordo com Richard Foster, ex-sócio da McKinsey e PhD na Universidade de Yale.

E dentro desse cenário, um caso que ensinou uma verdadeira lição para empreendedores e executivos da atualidade é o da Iridium. Um fracasso tecnológico monumental, mas que se tornou um sucesso. 

      Continue lendo, pois vamos mostrar o contexto dessa história e outros exemplos de empresas que também negligenciaram o impacto do desenvolvimento tecnológico.

O que é Iridium?

Iridium, irídio em português, é o 77º elemento da tabela periódica. Mas o que isso tem a ver com tecnologia e o mundo dos negócios?

Nos anos 80 a Motorola criou a empresa Iridium, com o objetivo de revolucionar o mercado de telefonia móvel a partir do lançamento de uma constelação de 77 satélites (daí o nome…) em órbita terrestre baixa.

Possibilitando a prestação de serviços de telefonia a um preço único em qualquer local do planeta, a proposta seria uma enorme inovação se comparada com as soluções anteriores que eram majoritariamente restritas aos centros urbanos.

Porém, ao longo do período de implementação do projeto, os custos para instalação de torres de telefonia caiu drasticamente, os aparelhos celulares evoluíram em tecnologia e a velocidade de rede aumentou.

E o decorrer da história já é de se imaginar: O plano de negócios feito 12 anos anos antes (sim, doze!) do lançamento previsto do sistema não suportou as transformações que aconteceram em paralelo. No livro “Eccentric Orbits: The Iridium Story” John Bloom conta a história da criação e da queda do projeto em detalhes.

Assim, o “Momento Iridium” passou a definir o ato das empresas de subestimar o avanço exponencial das tecnologias, apostando em planos de inovação baseados em ferramentas lineares e tendências ultrapassadas.

Como prejuízo: US$5 bilhões e a chancela de um enorme fracasso. Mas tentando ver um lado positivo nessa história toda, é possível citar lições que são deixadas aos atuais empreendedores e executivos.

As lições que podemos aprender com esse caso

#1 A inovação não ocorre nas CNTP:

Já é mantra que a busca por inovação deve ser constante nos mais diversos âmbitos empresariais (leia nosso artigo sobre tipos de inovação). Mas essa – cada vez menos – ocorre em condições estáveis, ou nas CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão), como se costuma falar.

O mundo, a tecnologia e o mercado são cada vez mais complexos, competitivos e dinâmicos. Assim, é essencial perceber se os passos que estão sendo dados rumo à inovação se alinham com o ritmo externo. Uma maneira de prevenir essa miopia organizacional pode ser apostar na estratégia de Open Innovation (Inovação Aberta), abordagem que propõem a quebra de paradigma da inovação restrita às portas da empresa.

#2 O desenvolvimento tecnológico não é linear

Diferente da tendência natural do raciocínio humano, as tecnologias não se propagam nem evoluem de forma linear. Mas sim, elas se pautam pela exponencialidade. Ou seja, se em um período se desenvolveu um nível, no seguinte se desenvolverá dois, depois quatro, oito, dezesseis… Até que esse padrão de duplicação torna-se extremamente acelerado.

Como somos humanos, instintivamente pensamos que as coisas se desenvolvem em um ritmo que conseguimos enxergar. Mas, como vimos no caso da Iridium, com o tempo o cenário muda e – consequentemente – o que era inovador já se torna obsoleto.

Entre algumas das tecnologias que já comentamos por aqui e são pautadas pelo desenvolvimento exponencial, estão a computação em nuvem, a ciência de dados, o 5G, entre outras…

Esse não é um caso isolado!

É fato que o caso da Iridium se tornou uma referência quando falamos de inovações tecnológicas fracassadas. Mas junto dessa, outras muitas empresas que conhecemos passaram por situações de erros e ensinamentos semelhantes.

Talvez alguns dos exemplos mais conhecidos dessa negligência tecnológica que levou as empresas à tragédia, sejam a Kodak e a Blockbuster. Respectivamente, tanto a gigante das câmeras fotográficas quanto da locação de vídeos, se viram atropeladas pelo desenvolvimento tecnológico e a ascendência de novos players.

Por fim, podemos concluir que fechar os olhos para as mudanças iminentes no mundo, nas tecnologias e no mercado pode ser o caminho definitivo para esforços de inovação fracassados. Estar a par do que acontece no mundo é uma necessidade, ainda mais em um contexto de mudanças aceleradas.

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