Transformação Digital

Histórias de heróis e o seu negócio podem ser mais parecidos do que você imagina

21 de outubro, 2019

Você provavelmente já teve contato com histórias de heróis. E não precisa ser necessariamente os super-heróis da Marvel ou da DC. Harry Potter; Katniss, de Jogos Vorazes; Simba, de Rei Leão; e até Aquiles, da mitologia grega, são exemplos de figuras que têm elementos de aventura em suas histórias.

A história de Simba e Nala representa bem a etapa “O chamado” da Jornada do Herói

Todos esses personagens têm as suas jornadas interligadas por acontecimentos que são peças fundamentais para o seu desenvolvimento. Eles recebem um chamado para a aventura e um mentor os ajuda a entrar em um novo mundo, onde o personagem vai passar por desafios para, enfim, enfrentar seu grande final.

E você, já notou que isso não é muito diferente da vida real? Todos nós temos o nosso “chamado” para uma profissão ou um desafio que vai mudar nossas vidas. Se não toda, a grande maioria das empresas passa por conflitos para conseguir se manter e, pode-se dizer, até acha nesse percurso o seu arqui-inimigo (empresa concorrente) que vai (tentar) atrapalhar seus planos.

Entender as narrativas de uma grande história de herói pode ser importante para a sua empresa começar a contar a sua história no mundo digital.

De Hércules a Luke Skywalker

Em 1949 nasceu O Herói de Mil Faces, o livro que identificou que todos os contos clássicos envolvendo lendas, mitos e histórias possuem uma mesma estrutura. Trata-se de um modelo, um conjunto de etapas, pelo qual o personagem principal passa. Joseph Campbell, autor do livro, nomeou essa estrutura de A Jornada do Herói. A obra é composta por três atos de 17 estágios. Todos se complementam para compor a narrativa.

A Jornada do Herói — baseada na obra Joseph Campbell

O primeiro ato chama-se “A Partida”. Nele o personagem recebe “o chamado”, que seria o sinal (seja divino, natural ou por influência de outras pessoas) que dá início à sua jornada para um mundo totalmente diferente do que ele vive. Inicialmente ele recusa esse convite, pois não consegue enxergar-se seguindo aquele caminho. E por isso recebe a ajuda de um mentor, alguém que vai guiá-lo e mostrar a ele essa nova realidade.

Você se lembrou de Hagrid contando para Harry que ele é um bruxo? E de Luke e Obi-Wan? De Nala pedindo para Simba retorne e recupere o trono em Rei Leão? Ou de Sidarta Gautama tendo as visões que lhe incentivaram a começar a sua jornada para se tornar Buda? Esses são exemplos de heróis em seu início de aventura. Todos se recusaram inicialmente a se arriscar, mas foram incentivados a continuar.

O chamado à aventura em Harry Potter

Após aceitar seu destino, o personagem segue em frente para enfrentar os reveses no novo mundo, em que precisa passar pela sua “estrada de provas”. Nela que ele se testa para ver se tem condições de ir até o fim de sua jornada.

Lembra dos 12 desafios de Hércules? Os desafios que ele passa para se redimir de seus erros e conseguir conquistar seu lugar no Olimpo? Exatamente, esses são exemplos de “provas” que o personagem passa para se testar e demonstrar que é digno de ser herói.

Além dos desafios, os heróis também têm os seus inimigos. Aqueles que colocam em risco a sua aventura. Aqui entramos na fase em que nosso herói tem que enfrentar a tentação do lado negro da força (espero que você tenha pego a referência a Star Wars). Esse confronto com seu grande desafio final vai provar que ele é digno de ter seu ato grandioso neste ciclo.

E, no fim, temos a “recusa ao retorno”, onde o personagem aceita de vez o seu novo papel no mundo, se recusa a volta para sua vida antiga e, assim, adquire a liberdade para viver. Este seria, em um filme da Disney, o “felizes para sempre”.

O lado business e fashion da Jornada do Herói

Recentemente a Forever 21 anunciou que vai fechar 350 unidades na Europa e na Ásia. As mídias especializadas em negócios estão colocando como causa principal o “Efeito Amazon”. A gigante americana está sendo tão onipresente no meio comercial digital que as empresas antes consolidadas hoje estão sofrendo para combater os preços baixos e a entrega rápida.

Porém, existe uma outra forma de enxergarmos a queda da Forever: analisando pela Jornada do Herói de Joseph Campbell.

Como todo herói, a Forever teve o seu “chamado” para começar uma aventura em 1984, quando o casal Dong-Won e Jin Sook começou a observar os clientes do posto de gasolina em que trabalhavam. Os que tinham mais dinheiro eram os que se vestiam melhor. Com isso eles resolveram abrir uma loja estilo “fast fashion” com roupas a preços mais acessíveis para que todos pudessem se vestir bem.

O que é importante entender é que a Jornada do Herói não é apenas um ciclo e deu. Ela pode acontecer mais de uma vez. Um mesmo personagem pode ter mais de um “chamado” durante a sua trajetória. Por isso que, em sua fase de ouro, a Forever respondeu ao seu, entrou no mundo do Fast Fashion, venceu seus desafios ao conseguir criar relação com a cultura americana e entrar em novos países. Soube se diferenciar dos seus concorrentes e, quando viu seu modelo de lojas gigantes ao redor do mundo dando certo, se recusou a voltar para o mundo normal e aceitou de vez seu papel no comércio de moda mundial.

Porém, um novo chamado surgiu em sua trajetória. A oportunidade da venda online deu espaço para que uma empresa crescesse em meio às gigantes. Não é uma empresa malvada, ok? Mas, aqui, com a licença-poética do tema, a trataremos como o “vilão” da Forever 21: estamos falando da gigante Amazon.

A falha da Forever 21 foi não dar atenção para este sinal. Ali, com o crescimento do e-commerce e a democratização da compra online, surgiu um novo ciclo para a empresa começar. Ciclo este que traria um novo mundo e novos desafios para explorar. O erro foi achar que a sua Jornada do Herói havia terminado por completo, mas ela estava apenas pausada na espera do começo de uma nova.

Não dar importância para isso fez com que a Forever continuasse no seu modelo de lojas gigantescas ao redor do mundo. Mas, com o tempo, esse modelo foi perdendo espaço para o crescimento exponencial do comércio online. Começou a ficar caro manter lojas tão grandes e estoques maiores ainda com coleções que mudavam de forma rápida.

Todo ciclo novo que a empresa poderia ter passado foi deixado de lado por não ter atendido ao seu chamado. Aliás, quantos heróis não viraram heróis por não atender a um convite desses, não é?

Transformação digital com gosto de chocolate

Agora você deve estar pensando: ok, falamos de “chamado”, de “desafios e o “novo mundo” que uma marca/herói entram. Mas e o “mentor”? Quem seria o mentor das empresas? A maioria dos heróis possui um.

Isso pode variar muito. Em certos casos pode ser apenas uma pessoa, um funcionário que mostra novos caminhos para a marca, ou uma empresa consultora que trabalhe de forma a ajudar alguma companhia a entrar em um novo mercado.

Vejamos o caso da Nestlé.

Carolina Sevciuc é a diretora de transformação digital da empresa. Ou seja, dentro de sua cultura, existe uma área inteira que trabalha em todos os âmbitos para construir projetos de transformação digital dentro da Nestlé e é isso que a Carolina lidera: um setor de inovação e novos negócios.

Carolina Sevciuc — da Nestlé

Porém, enxerguemos uma era anterior a isso. A Nestlé não é nativa digital. Não é uma startup que nasceu a partir de um produto digital e que tem toda sua cultura moldada a partir disso. Trata-se de uma indústria tradicional fundada em 1886 que sempre trabalhou sem o contato direto com o consumidor final. Ou seja, ela vendia para outras empresas

É difícil implementar transformação digital, ainda mais em uma empresa tão antiga. Por isso, o processo para trabalhar com inovação dentro da empresa foi o começo de uma Jornada do Herói para a Nestlé.

O chamado da Nestlé foi, diretamente das palavras ditas pela Caroline em entrevista ao B9, “o que está acontecendo lá fora”. A grande influência de empresas de fora do Brasil que estavam focando em inovação, novos processos, novas tecnologias e um foco no consumidor final, criando experiência e retenção.

A empresa, ao enxergar isso, começou movimentos para se adaptar. Um destes movimentos foi justamente dar carta branca para que a Caroline montasse uma área de inovação dentro da empresa. E assim se inicia a nova Jornada da Nestlé.

Falamos de mentor antes, e o mentor que deu um rumo para a empresa foi um evento, o maior festival de criatividade do mundo, o SXSW. A sua influência, com palestras e ativações, foi fundamental para ampliar a forma como a Nestlé iria ver inovação dentro do seu ambiente. Quando Sevciuc questionou: “onde posso achar o que está acontecendo no mundo?”, a resposta da diretoria da empresa foi justamente o festival.

O resultado disso, além do setor que hoje trabalha integrado com toda a empresa, pode ser visto na Nespresso.

Nespresso é case de desintermediação da indústria da Nestlé

Esse produto, que tem como foco o consumidor final, é um dos cases da marca porque nasceu diretamente da sua mudança de mindset. Para alguém que antes produzia apenas café, produzir também a máquina de café e ter contato direto com os clientes foi um avanço diferente. E justamente esse foi um dos desafios da Jornada da Nestlé que começou lá atrás com o “chamado” e seu “mentor”.

Busque a sua Jornada

A particularidade de tantas histórias, seja em livros, filmes, séries, quadrinhos e até na vida real, consegue se materializar através dos mesmos pilares de construção. Vimos que empresas, assim como heróis, se sustentam através das mesmas etapas. Uma inspiração, um novo mundo para explorar, alguém para inspirar ainda mais, desafios para se testar nesse novo ambiente e um grande aprendizado que vai mostrar o quanto o novo pode ser benéfico. Etapas que se complementam e podem ser vistas nas diferentes escolhas do mercado.

A 4all trabalha hoje para estar presente em toda a Jornada de uma empresa. Podemos ser desde o “chamado”, com projetos de transformação digital que resolvam necessidades existentes, até um mentor para mostrar novos caminhos e ajudar a achar soluções.

Cada unidade do hub funciona, com a sua particularidade, como um pilar para ser suporte na Jornada das empresas. Nosso propósito é ser agente de transformação digital de negócios.

Fique atento aos chamados que podem acontecer na sua vida e na sua empresa. A qualquer momento um novo desafio pode surgir e você precisa estar preparado.

Referências:

Entrevista com Caroline Sevciuc

A quebra da Forever 21

Efeito Amazon

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