Negócios

O que uma empresa de entretenimento e uma de moda têm a nos ensinar sobre colaboração?

18 de junho, 2019

Muitas empresas tentam criar estratégias inusitadas de endomarketing para alimentar a cultura colaborativa, mas esquecem de focar na essência de sua marca e em como seus funcionários estão alinhados com isso.

É importante trazer propósito para seus colaboradores e, neste quesito, todas as empresas, mesmo que com segmentos distintos, devem se atualizar. Basta criar uma cultura interna que seja cativante o bastante. Nesse sentido, a Netflix, a Reserva e a 4all têm excelentes iniciativas que podem nos ensinar bastante.

A apresentação que mudou o rumo da Netflix

A Netflix iniciou suas atividades em 1997. A empresa, inicialmente, entrou no mercado de filmes para se aventurar em um negócio específico: aluguel online. Bastava entrar no site, escolher o filme e esperar a fita cassete ser entregue em casa.

Reed Hastings, cofundador e atual CEO, enxergou no streaming a estratégia correta para a empresa se adaptar e dar um passo além do entretenimento que estava entregando. Mas não apenas de novos segmentos e de milhões vive uma marca. Hastings prezava a qualidade ao invés da quantidade e, por isso, investiu na cultura da empresa. Em 2009 nasceu o culture deck da Netflix: uma apresentação de 125 slides que mostra o modo como a empresa enxerga o mundo.

Cada lâmina é bem específica em passar a essência da marca, servindo também como manual para todos os novos funcionários da empresa. Esse manifesto de Hastings foi fundamental para que a Netflix atingisse o patamar que está hoje. Uma ideia de empresa bem definida e tangível é a base perfeita para guiar a trajetória dos colaboradores e suas visões de futuro.

A cultura Netflix se baseia na coragem para tomadas de decisões, na transparência, na sinceridade e em sempre montar um grupo altamente eficaz, evitando regras demais. Também se refere aos seus “valores reais”.

Em um mundo onde muitas empresas têm a sua declaração de valor apenas da boca para fora, a Netflix optou por não se subjugar a isso e criou um conjunto de valores que esperam encontrar em seus funcionários e em todas suas atividades. Julgamento, comunicação, curiosidade, coragem, paixão, abnegação, inovação, inclusão, integridade e impacto estão entre eles. No site de vagas da empresa é possível ter acesso a todo esse conteúdo.

Reed Hastings, cofundador e atual CEO da Netflix

Em entrevista a Chris Anderson em um evento TED, Hastings conta que a cultura é tão alimentada dentro da organização que ele, às vezes, fica um trimestre inteiro sem tomar nenhuma decisão. Tudo porque os funcionários são inspirados a ponto de ter autonomia em decisões pelo bem da marca.

“Nossa cultura é muito ampla em relação à liberdade e responsabilidade. Me orgulho de tomar o mínimo possível de decisões em um trimestre. E estamos cada vez melhores nisso. Algumas vezes passo um trimestre inteiro sem tomar nenhuma decisão” — Reed Hastings em entrevista a Chris Anderson

Esse manual incita uma grande ligação entre a companhia e seus colaboradores. A partir de uma apresentação de mais de 100 slides, a Netflix se tornou uma empresa mais humana e preocupada com a excelência. Boa parte das conquistas de sua história é fruto dessa mudança de pensamento.

Outro exemplo legal de como a criatividade e o propósito de marca conseguem criar uma cultura interessante é a Reserva.

Reserva, a empresa que realiza sonhos

Rony Meisler largou um ótimo emprego numa multinacional para vender bermudas na beira da praia. Seu sonho era empreender e encontrar seu lugar no mundo. Ele conseguiu e hoje é possível ver mais de 60 lojas da Reserva espalhadas pelo Brasil.

É incrível ver de perto a humanidade que a marca demonstra em suas ações. No último dia das mães, nenhuma Reserva abriu para que seus colaboradores pudessem aproveitar a data em família.

Rony não trabalha diretamente com um manual como a Netflix, ele prefere espalhar seu mantra pela empresa: “cuidar, emocionar e surpreender as pessoas todos os dias”. Esse propósito é cultivado na mente de todos que fazem parte do time Reserva.

Rony Meisler — fundador e CEO da Reserva

Esse incentivo acaba acontecendo até nas ações da própria empresa, que tem um programa interno chamado “Bota na Vitrine”. Todos que entram na empresa criam uma lista de sonhos que gostariam de realizar com a ajuda da Reserva. Porém, para que isso aconteça, os funcionários devem ajudar algum setor que não seja o seu. No final do ano, um comitê elege qual foi o melhor entre todas as ações desenvolvidas no ano. O escolhido tem o seu sonho realizado. Já teve desde supervisor comercial que realizou o sonho de andar de Ferrari até auxiliar de TI que saltou de paraquedas. Quem organiza e é responsável por alimentar essa cultura é um setor chamado Departamento de Felicidade. Eles que cuidam de comunicação, ações e engajamento interno. E suas ideias são o combustível da marca.

Essa atmosfera que tanto a Netflix quanto a Reserva constroem ajuda a criar um ambiente que incentiva a interação entre os funcionário e o engajamento com o desenvolvimento da marca. Essa seria uma etapa anterior a montar ações de cultura colaborativa. Estamos falando aqui de desenvolver, primeiramente, um mindset colaborativo.

As 36 horas que a 4all precisava

Mês passado, aqui na 4all, aconteceu o 4hack. O nosso primeiro hackathon interno.

Três equipes foram formadas dentro da empresa para resolver um desafio: encontrar uma solução para os consumidores pagassem suas comandas em bares, restaurantes e casas noturnas, de maneira digital e sem a necessidade de entrar em filas.

Esse desafio era um projeto que já vinha circulando nos corredores. E o evento foi uma forma de unir os colaboradores para um objetivo em comum e resolvê-lo.

Apresentação de projeto do Hackaton 4all

Nossa missão é promover a transformação digital dos negócios e do mercado. O evento foi uma forma de salientar isso e, ao mesmo tempo, foi uma ação para desenvolver nossa cultura.

O resultado foram 36 horas onde os três times trabalharam em todos os quesitos que envolviam o projeto, desde as análises de negócio até a parte de desenvolvimento e o pitch final. O 4hack foi uma parceria da 4all com a Payly e ajudou a alimentar internamente nosso papel como agente de transformação digital no mundo dos negócios.

Mindset colaborativo

As empresas citadas, utilizando as suas particularidades, criaram suas próprias atmosferas colaborativas. E essa mudança de mindset é o começo para que toda a comunidade interna da empresa se una para atingir objetivos coletivos maiores.

Independentemente do que for feito, é importante unir todos os colaboradores em ações que salientem a interação e a sua cultura organizacional. Essa união vai desenvolver um ambiente onde o mindset colaborativo será totalmente voltado para o crescimento da empresa e da comunidade que ali reside. Todos com objetivos em comum e, o mais importante, com o incentivo certo para pensar em melhorias para a marca.

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