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Ambidestria Organizacional: O que é? Como implementar?

9 de dezembro, 2020

Ambidestria organizacional é a capacidade de um negócio de balancear o foco na eficiência operacional, na mesma medida que olha e se atualiza para o futuro.

A visão das empresas precisa estar conectada com as transformações aceleradas que acontecem no mercado, em razão do desenvolvimento tecnológico e da consequente mudança no comportamento dos consumidores. Caso isso não aconteça, a história já nos mostra o destino de quem ousar fechar os olhos para isso: produtos e serviços obsoletos e suas respectivas empresas fadadas ao fracasso. Quem aí lembra do caso da Iridium?

Porém, ao se verem constantemente pressionadas e sedentas por disrupção, é muito comum que as lideranças das empresas se esqueçam de outro fator essencial para a sustentabilidade do negócio no longo prazo: a excelência operacional no presente.

De forma simples, podemos dizer que algumas empresas também sofrem do mal frequentemente apontado às novas gerações: o imediatismo,  o anseio por pensar sempre a frente e querer resultados para ontem.

Mas nem tudo acontece da noite para o dia. Mesmo em meio ao mundo extremamente volátil e incerto no qual nos inserimos, ainda é necessário plantar algumas sementes para que se possa colher os frutos.

Assim, o cenário indica o balanceamento como a melhor alternativa. Não se deve olhar só para o presente e negligenciar o futuro. Nem vice-versa. As empresas precisam ser ambidestras

O que é Ambidestria Organizacional?

A palavra pode estar em um contexto atípico, mas você provavelmente sabe o que é ser ambidestro. Não apenas canhota, tampouco apenas destra, uma pessoa que nasce – ou desenvolve – a ambidestria possui habilidade motora balanceada entre as duas partes do corpo.

Olhando para o âmbito das organizações, uma empresa ambidestra é aquela capaz de balancear iniciativas e esforços para sustentação operacional do negócio, na mesma medida que olha e se prepara para o futuro.

Essa divisão costuma ser feita ao estabelecer dois focos de atuação e inovação na empresa:

  • Melhoria contínua da operação do negócio: Inovações incrementais em processos são um exemplo. Aqui, o objetivo é a sustentação do negócio (também chamado de exploitation);
  • Exploração de oportunidades e tendências futuras: É aqui que se encaixam as inovações radicais, a busca por mudança e disrupção no mercado. Nesse caso, a meta é o crescimento (ou, exploration).
Encontrar o equilíbrio entre a eficiência operacional presente e a busca pela inovação é essencial!

Relacionado a isso, você sabia que existem diferentes formatos de inovar em uma empresa? Aqui explicamos mais sobre os quatro principais tipos de inovação!

É importante ressaltar que essa não é uma visão nova. James March, professor da Universidade de Stanford, levantou a importância do balanceamento entre exploitation e exploration no início dos anos 90. Você pode conferir aqui o estudo original.

Por mais que a natureza dessas duas frentes pareça oposta, elas são fundamentalmente complementares. Inclusive, não necessariamente elas precisam ser implementadas por profissionais distintos, como veremos a seguir.

3 formas que a Ambidestria Organizacional pode ser posta em prática

Existem três formatos mais comuns para materializar a ambidestria em uma empresa: Ambidestria estrutural; Ambidestria cíclica e Ambidestria simultânea. A distinção diz respeito, principalmente, à divisão do foco de trabalho entre os profissionais:

  1. Ambidestria estrutural

Esta, ocorre quando as empresas optam por separar um “setor de inovação” das equipes voltadas a atividades operacionais.

As funções coexistem, sendo exercidas por profissionais distintos, mas ao mesmo tempo. O alinhamento entre as áreas é feito pelas lideranças do negócio.

2. Ambidestria cíclica

Já esta, aposta em um modelo rotativo entre as atividades com foco operacional e de inovação. Em dado período o foco é integralmente na sustentação e melhoria dos processos, e em outro é em explorar e implementar a inovação.

Nesse caso, todos os profissionais atuarão em ambas as frentes, mas em períodos distintos.

3. Ambidestria simultânea

Por fim, existe a possibilidade de hibridizar totalmente os dois processos. Todos os profissionais têm um olhar ambidestro, com um pé na operação e outro na inovação. Mas tampouco existem ciclos.

Essa pode ser uma decisão ótima para a implementação da ambidestria organizacional, mas certamente é a que exigirá um maior alinhamento e esforço para conseguir metrificar ambos os esforços.

Podemos concluir que, assim como em muitos outros pontos do mundo empresarial, o balanceamento é a aposta certa para otimizar os resultados. A proposta da ambidestria organizacional – independente do formato que for implementada – tem muito a agregar nas estratégias dos mais diversos setores.

Afinal, a inovação é uma ordem. Porém, não podemos esquecer que, para chegarmos ao futuro, também é necessário melhorar continuamente as operações presentes.

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